Dinossauros do Rock lançam novos álbuns

Recentemente chegaram às lojas brasileiras os novos cd’s de verdadeiras lendas do rock mundial. Estamos falando de Black Sabbath, Deep Purple, Bon Jovi e Megadeth.

Destes lançamentos, o mais esperado foi, sem dúvida alguma, “13”, que marca o retorno de um dos criadores do Heavy Metal, o Black Sabbath. Reunidos com o vocalista Ozzy Osbourne, 34 anos após o último disco de inéditas com a formação original, Tony Iommi e Geezer Butler conseguiram não só resgatar o passado glorioso da banda como provar que os “velhinhos” ainda tem muita lenha para queimar.

Definitivamente, “13” é um ótimo álbum (apesar de inferior aos clássicos da banda). Os riffs magistrais de Iommi estão intactos, assim como as precisas linhas de baixo de Geezer, e Ozzy…bom Ozzy é Ozzy! Infelizmente, o baterista original Bill Ward não faz parte dessa reunião, mas é bem substituído pelo competente Brad Wilk (Rage Against the Machine). Todas as onze faixas (três delas presentes apenas na versão deluxe) são muito legais, com destaque para “God is Dead?”, “Loner”, “Zeitgeist” e “Damaged Soul”. Retorno mais do que digno!

Outro dinossauro que mandou bem foi o Deep Purple. Seu novo álbum “What Now?!” é de um bom gosto ímpar. Está longe de clássicos como “Machine Head” ou “Perfect Strangers” e o som está até um pouco diferente, flertando mais com o rock progressivo, porém, talvez seja o melhor disco lançado pela banda desde Purpendicular (o primeiro com o guitarrista Steve Morse). As faixas casam perfeitamente com o atual alcance vocal de Ian Gillan e podemos perceber que a banda está mais afinada do que nunca. Destaque para o tecladista Don Airey que conseguiu imprimir seu estilo após sofrer com as costumeiras comparações com o saudoso e fantástico Jon Lord. Portanto, esqueça a sonoridade do passado e dê uma chance a esse novo Purple, pois ele é bem legal!

Depois de dois lançamentos consistentes, agora vamos para os outros dois que, confesso, me frustraram um pouco. Já faz algum tempo que o Bon Jovi deixou de ser uma banda de Hard Rock, mas sempre rola aquela esperança de pegar um novo álbum deles e encontrar algum resquício daquilo que fizeram no passado, mas certamente o recém-lançado “What About Now” enterra de vez esse sonho.

Totalmente pop, o disco não é de todo ruim, afinal a guitarra de Richie Sambora sempre aparece bem e Jon Bon Jovi canta muito, mas algumas músicas são bem fraquinhas. Destaque positivo para o primeiro single “Because We Can”, para a faixa título e, principalmente, para a última faixa da versão deluxe “Every Road Leads Home to You”, que na verdade é uma faixa do disco solo de Richie Sambora, o que convenhamos não é um bom sinal.

Guardadas as devidas proporções, assim como o Bon Jovi, o Megadeth também deu uma aliviada no seu som de uns tempos para cá, deixando de flertar com o Thrash Metal de outrora, infelizmente. A banda de Dave Mustaine acabou de soltar no mercado “Super Collider” que apesar de seguir os passos do antecessor “Thirteen” acaba soando mais experimental (tem até banjo!), lembrando até o criticado “Risk”. O álbum até que começa bem com “Kingmaker” e consegue empolgar com faixas como “Burn!” e “Built for War”, mas fica aquele gostinho de que podia ser melhor, ou pelo menos um pouquinho mais nervoso. Saudades dos velhos tempos de “Peace Sells…”, “So Far, So Good…” e “Rust in Peace”.

A verdade é que os tempos são outros, as bandas mudaram muito e parece cada mais impossível vermos alguns de nossos ídolos repetirem as fórmulas do passado e gravarem os mesmo discos de antigamente. Culpa da evolução, como costumam dizer as bandas? Talvez. O fato é que dificilmente ouviremos novos “Paranoid”, “Machine Head”, “New Jersey” ou “Peace Sells…”…ah, santa nostalgia!

 

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PEARL JAM – LOLLAPALOOZA – 31/03/2013

Nunca escondi de ninguém minha predileção pela banda de Seattle, Pearl Jam. Já assisti a quatro shows da banda em São Paulo e pretendo continuar aumentando esse número em breve. Ao vivo, eles são sensacionais, e nenhuma banda no mundo consegue mudar tanto seus setlists e manter o nível sempre lá em cima. Como disse uma pessoa ao meu lado após o show: “eles nunca fazem um show ruim”. Pura verdade!

A mais recente apresentação e que encerrou o Festival Lollapalooza em pleno Domingo de Páscoa em São Paulo foi mais uma prova de que existem shows e existe o show do Pearl Jam. Fantástico mais uma vez! Com um setlist perfeito e atuações inspiradas de todos os músicos (mesmo levando em consideração que a banda se reuniu após longas férias exclusivamente para esta turnê sul-americana), o PJ mais uma vez deixou seus fãs extasiados.

Diferente dos outros shows a banda resolveu abrir a apresentação com uma música um pouco mais calma, “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”, mas logo já imprimiu energia com “Why Go” do clássico disco de estreia Ten, e “Corduroy”, faixa que senti falta no último show dos caras em SP. A pesada “Comatose”; a não tão nova, mas ainda inédita em gravações “Olé”; e a preferida de muitos “Do the Evolution” mantiverem o pique. “Wishlist” e “Got Some” permitiram aos 60 mil presentes darem uma acalmada para logo depois explodirem com outro clássico “Even Flow” com destaque para os solos inspirados do guitarrista Mike McCready.

Duas ótimas surpresas vieram na sequência: a linda “Nothingman” e “Insignificance”, talvez a melhor do disco Binaural. Outra indispensável “Daughter” e “World Wide Suicide” prepararam o terreno para a clássica “Jeremy” que foi cantada em plenos pulmões por todos. Depois da recente “Unthough Know”, uma sequência incrível com “State of Love and Trust”, “Rearviewmirror”, “Given to Fly”, “Betterman” e a sensacional balada “Black” (a predileta deste redator, e que mais uma vez emocionou quem estava vivo). Ainda havia tempo para homenagens e, como de costume, o vocalista Eddie Vedder aproveitou para falar sobre seu grande amigo Johnny Ramone dedicando “I Believe in Miracles” aos fãs da maior banda punk do planeta, Ramones.

Por falar em Vedder, o vocalista provou novamente ser um dos melhores “frotmen” do planeta. Além de cantar muito, Vedder esbanja simpatia e carisma e como de costume fez questão de se comunicar com os fãs durante todo o show, mesmo afirmando que seu português é uma “merda”.

Tudo que é bom dura pouco e já nos aproximávamos do final, e como tem se tornado um hábito, as três últimas músicas seguem uma sequência do tipo: clássico absoluto, cover e Yellow Ledbetter e foi isso o que aconteceu. A música mais famosa da banda “Alive” o cover do The Who “Baba O’ Riley” e “Yellow Ledbetter” fecharam a apresentação da banda no Brasil.

Outro show maravilhoso do Pearl Jam e que valeu cada centavo investido, cada pedacinho de lama no sapato e cada empurrão para pegar o lotado e mal organizado Metrô da Estação Butantã. Tomara que não demorem muito a voltar por aqui.

Quem perdeu este show aproveite, pois o canal Multishow apresentará o show na íntegra neste sábado (06/04) às 21h30. Viva Eddie Vedder & Cia!

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SOUNDGARDEN – King Animal (2012)

Sim, após um hiato de 16 anos, a banda de Seattle volta com novo álbum, mantendo o mesmo entrosamento responsável por criar clássicos definitivos daquilo que outrora ficou mundialmente conhecido como grunge.

Dentre as estrelas do grunge, o Soundgarden sempre foi o preferido por apreciadores do Heavy Metal e por muitos críticos musicais. Talvez por beber da mesma fonte de ótimas bandas de rock clássico como Led Zeppelin ou por apresentar uma ou outra referência mais pesada e “arrastada” de Black Sabbath (especialmente no começa da carreira). Sem contar, é claro, com o talento do ótimo vocalista Chris Cornell, do excelente guitarrista Kim Thayil e da competente cozinha formada pelo baixista Bem Shepherd e pelo baterista Matt Cameron (hoje também no Pearl Jam). Independente disso, a banda sempre foi muito competente e agora está de volta com um bom álbum de inéditas, King Animal.

Como forma de comparação, o novo disco está mais para o último Down on the Upside do que para os meus prediletos Superunknown e Badmotorfinger (o melhor de todos). Existe um pouco mais de experimentalismo e psicodelismo do que peso. Cornell continua competente, mas seu alcance vocal já não suporta mais tanta agressividade e aqueles rasgados característicos que tanto agradavam em hinos como a inesquecível “Outshined”.

Faixa de abertura, primeiro single, e grande destaque de King Animal, “Been Away For Too Long” aposta nos ótimos riffs de Thayil e nas mudanças de ritmo. O título é bastante significativo, afinal foram muitos anos de espera pela volta da banda. Excelente começo. A faixa seguinte “Non-State Actor” também é bem legal. Cornell solta alguns gritos em meio a boas melodias e ótimas transições. Segundo single, “By Crooked Steps” é mais arrastada e lembra bastante faixas do início da carreira da banda. Já “A Thousand Days Before” é aquela faixa que mostra clara influência de sons antigos e, digamos, bem “Led Zepellianos”.

A densa “Blood on the Valley Floor” é outra que faz uma visita aos princípios da banda, onde psicodelismo e aquelas levadas pesadas e arrastadas se destacavam. “Bones of Birds” é mais calma e poderia muito bem estar presente nos últimos dois álbuns da banda. “Taree” é outra canção mais suave e com um andamento de guitarra bem interessante e que gruda na sua cabeça por um bom tempo. “Atrition” retoma a agressividade lembrando algo de punk rock aqui ou ali e, é a mais curta do álbum, enquanto “Black Saturday” aposta do intimismo e nas levadas mais acústicas.

“Halfway There” é a canção mais pop do disco. Semi-acústica, a faixa tem mais relação com a carreira solo do vocalista. “Worse Dreams” mostra o bom entrosamento baixo / bateria, mas é aparentemente a mais fraca do disco. Penúltima faixa, “Eyelids Mouth” comprova o talento de Chris Cornell, especialmente no refrão onde sua voz ganha alguns efeitos fazendo uma boa mescla com os vocais limpos. “Rowing” fecha o lançamento de forma muito interessante. Uma faixa bastante diferente do que a banda costuma fazer, com passagens de bateria eletrônica, guitarras entrelaçadas, e muito experimentalismo.

King Animal definitivamente não é um clássico. Não existem hits consagrados e ainda sinto falta de um pouco mais de peso da época de Badmotorfinger, mas é um bom disco que mostra o porquê do Soundgarden ser tão cultuado. Espero que não existam mais separações e que Cornell cumpra o que prometeu no último festival SWU onde prometeu que voltaria ao Brasil agora com a banda. Em tempos onde a péssima música impera, ouvir um novo trabalho de Cornell & Cia é sempre uma bênção! Confira!

Tracklist:

01. Been Away Too Long
02. Non-State Actor
03. By Crooked Steps
04. A Thousand Days Before
05. Blood On The Valley Floor
06. Bones Of Birds
07. Taree
08. Attrition
09. Black Saturday
10. Halfway There
11. Worse Dreams
12. Eyelid’s MOuth
13. Rowing

 

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Veteranos lançam novos CD´s

Três grandes bandas, Aerosmith, Kiss e Rush acabaram de lançar seus novos e, por sinal, ótimos álbuns. Uma boa opção de presente de Amigo Secreto ou Natal para aqueles poucos sobreviventes que ainda preferem ter o CD original na mão!

Onze anos sem lançar um disco de inéditas, o Aerosmith, mais uma vez teve que lidar com brigas internas (em algum momento a banda chegou a divulgar que estava atrás de um novo vocalista), disputas de egos e até a presença do líder e vocalista, Steven Tyler, no American Idol para voltar ao estúdio.

O novo CD, Music From Another Dimension! investe forte no rock setentista, com direito a faixas bastante pesadas como “Luv XXX”, “Oh Yeah” e “Lover Alot”, mas sem deixar de lado as sempre requisitadas baladas como “What Could Have Been Love”, “Closer”, “Another Last Goodbye” e “Can’t Stop Lovin’ You” que conta com a participação especial da cantora Carrie Underwood e tem uma leve pitada country. Primeiro single do álbum, “Legendary Child” foi classificada pelo guitarrista Joe Perry como “uma volta as raízes, uma mescla de tudo já feito pelo grupo”. Faz sentido! Confira e não vai se arrepender.

Por falar em não se arrepender, o Kiss mandou bem outra vez. Monster, vigésimo álbum de estúdio da banda tem tudo aquilo que o fã gosta. Melodias cativantes, solos instigantes (o guitarrista Tommy Thayer não desaponta os fãs de Ace Frehley ou Bruce Kulick) e refrãos sempre caprichados (esses caras são imbatíveis nisso). Gene Simmons e Paul Stanley estão cantando melhor do que nunca e é sempre bom vê-los alternando os vocais de uma faixa para a outra, ou em uma mesma música.

Faixas como “Hell or Hallelujah” (primeiro single), “Freak”, “Back to the Stone Age”, “Shout Mercy” e a excelente “The Devil is me”, com direito a show de Simmons nos vocais e de Thayer no inspirado solo de guitarra, imprimem qualidade a este novo trabalho, que sem dúvida alguma figura entre os melhores de toda a discografia dos mascarados (especialmente quando pensamos nos álbuns mais recentes).

Para terminar este resumão de lançamentos, nada melhor do que falar um pouco dos canadenses do Rush. Geddy Lee (baixo e vocais), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) mais uma vez uniram seus talentos e inspiração em nome do bom e velho rock ‘n’ roll. O conceitual e recém-lançado Clockwork Angels mostra que a musicalidade e a criatividade dos canadenses continua em alta.

Grande destaque do disco, o primeiro single “Caravan” é aquela típica canção com a cara do Rush. Quando a ouvi pela primeira vez tive a nítida impressão que era uma faixa antiga e fiquei surpreso quando descobri que era nova. Sensacional! Passado e modernidade permeiam em torno de todas as doze faixas, e é impossível não se empolgar com canções como “BU2B”,  as pesadas “Seven Cities of Gold” e “Headlong Flight” e a maravilhosa balada “The Garden”. Lee, Lifeson e Peart mandaram bem outra vez!

Três ótimos lançamentos que comprovam que o rock ‘n’ roll continua vivo sim, graças a Deus! Corra atrás!

 

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CREED – Credicard Hall/SP – 25/11/2012

Crédito foto: Manuela Scarpa / Foto Rio News

Nunca escondi de ninguém meu apreço pela banda norte-americana Creed. Pós-grunge, Gospel, cópia do Pearl Jam (pois é, tem gente que diz isso)… Independentemente do rótulo a banda é muito legal e ao vivo é melhor ainda, conforme pude atestar no último domingo em São Paulo.

Utilizando como base para o show os dois primeiros álbuns de estúdio, My Own Prision com cinco músicas (“Torn”, “Unforgiven”, “My Own Prison”, “What’s This Life For?” e “One”) e Human Clay com oito (“Are You Ready?”, “Wrong Way”, “What if”, “Beautiful”, “Say I”, “Faceless Man”, “Higher” e “With Arms Wide Open”), o Creed mostrou ser bem poderoso ao vivo.

Scott Stapp é um ótimo front man. Sabe muito bem conduzir a plateia, mostra carisma e seu vocal é forte o suficiente para chamar a atenção. Além disso, Mark Tremonti é um tremendo guitarrista e exprime um peso extra às músicas ao vivo. A cozinha formada pelo baterista Scott Philips e pelo baixista Brian Marshall é bastante segura. Sem contar com o guitarrista de apoio Eric Friedmann, que além de dividir os solos em algumas músicas com Tremonti, é responsável pelas partes acústicas e backing vocals.

O repertório foi muito bem escolhido, especialmente para os fãs dos dois primeiros trabalhos, e a mescla entre baladas e canções mais pesadas foi bem feita. Praticamente todos os sucessos estiveram presentes. Mesmo assim, acho que ficou faltando uma ou outra música do último cd dos caras, Full Circle (só tocaram a bela balada “A Thousand Faces”) além de duas baladas que particularmente eu gosto muito “Inside Us All” e “Don’t Stop Dancing”.

Tudo bem que em um dado momento o lado gospel aparece um pouco mais acentuado graças a uma “pregação” ou outra, seja através de letras de evidente cunho cristão ou através de gestos ou discursos de Stapp, porém, no final das contas isso pouco importa. O que fica é o talento indiscutível da banda, seja para criar ótimas músicas (“My Sacrifice” fecha o show de forma sensacional), seja para fazer as quase duas horas de show passarem rapidinho, rapidinho. Prova essa contumaz de que o show foi bom demais!

Espero que a banda supere de uma vez por todas as brigas internas, os problemas de saúde de Stapp e a vontade de Tremonti em ter diversos projetos paralelos para assim gravar outros bons trabalhos e voltar ao Brasil para brindar os fãs com outras belas apresentações.

Setlist:

1 – Are You Ready?

2 – Torn

3 – Wrong Way

4 – What If

5 – Unforgiven

6 – My Own Prison

7 – A Thousand Faces

8 – Bullets

9 – Beautiful

10 – Say I

11 – Faceless Man

12 – What’s This Life For?

13 – One

14 – Higher

Bis:

15 – With Arms Wide Open

16 – One Last Breath

17 – My Sacrifice

 

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SIOS – Halcyon Failure (2012)

Não é só de Dream Theater, Threshold ou Pain of Salvation que vive o metal progressivo mundial! Boa notícia para quem curte este estilo mais, digamos, caprichado do metal. Essa foi constatação que tive ao ouvir o cd de estreia da banda de New Jersey/EUA, SIOS.

Halcyon Failure é um álbum bastante inovador, eclético acima de tudo, mas surpreendentemente legal. Confesso que me diverti muito ouvindo essa obra. Digo obra, pois muitos rotulam estes americanos como participantes do chamado Art Rock, algo que mistura ficção à música, criando efeitos, distorções e principalmente variações bem malucas em uma mesma canção. Guardadas as devidas proporções algo bastante semelhante ao que os suecos do Pain of Salvation, do gênio (ou seria louco?) Daniel Gildenlow, fazem.

Tudo bem, para muitas pessoas (acho que para a maioria) o SIOS pode parecer bem entranho. Tá bom… É estranho, mas é bem interessante. Algumas músicas são realmente empolgantes e misturam peso com técnica de forma bastante eficiente. Ouça “Lost in Wonderland” ou os treze minutos da terceira parte da mini-obra “Halcyon Failure III: The Search for Duende” e ateste. Além disso, preste atenção no refrão e solos de “Xi: Witness to What?” ou “Halcyon Failure I: Where the Change Grows”. Viagem das boas!

Além das doideiras habituais a banda consegue ser suave e atmosférica como ninguém. A semi-balada “The Walls of Morado” é sensacional! Já a linda balada “Heaven” é outro ponto alto. Os caras estavam muito inspirados quando criaram esta música. Ponto mais do que positivo para os músicos: Philip “Dice” Defreitas (baixo e vocal), Christian “Enigma” Cruz (guitarra), April Copes (guitarra) e Gabriel Scholis-Fernandez (bateria). Só para constar, a introdução “Duo Vigilans Finem” me lembrou muito, mas muito mesmo Savatage…

Acho que a palavra que melhor resume este disco seja intrigante. É um som difícil de assimilar, mas que cativa o ouvinte, principalmente se este estiver ávido por novidades fora dos padrões habituais e acima de tudo tiver o discernimento de aceitar a perfeita simbiose entre peso, qualidade musical e improvisações. No site oficial dos caras eles afirmam quererem quebrar barreiras. Acho que estão no caminho certo. Confira, vale à pena!

Tracklist:

1. Duo Vigilans Finem
2. The Garden of Shades
3. Karmatic
4. Xi: A Witness to What?
5. Pyreflies
6. Lost in Wonderland
7. The Walls of Morado
8. Heaven
9. Inside the Tides
10. The Evil in Us
11. Halcyon Failure I: Where the Change Grows
12. Halcyon Failure II: Confusion of Certainty
13. Halcyon Failure III: The Search for Duende

 

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TESTAMENT – Dark Roots of Earth (2012)

Esse post é especial para os amigos do Grupo Heavy Metal (e cerveja) do Facebook e para quem curte um bom Thrash Metal sem frescuras e livre de modismos!

Os americanos do Testament acabam de lançar seu novo álbum “Dark Roots of Earth”. Contando mais uma vez com praticamente todo o line-up clássico da banda (Chuck Billy – vocal; Eric Petersen e Alex Skolnick – guitarras e Greg Christian – bateria) com exceção do baterista Louie Clement, substituído por Gene Hoglan, os caras mais uma vez fizeram bonito, outra grande peça para a rica discografia de Chuck Billy & Cia.

A pedrada “Rise up” é aquela típica faixa de abertura arrasa quarteirão que apresenta bem o álbum e mostra o que vem pela frente. “Native Blood”, segundo single e primeiro vídeo clipe do disco une o thrash vigoroso da banda com toda a musicalidade que só uma dupla de guitarristas como Petersen e Skolnick pode proporcionar. Além disso, Chuck Billy comprova porque é um dos melhores vocalistas do metal mundial.

A faixa título é mais cadenciada, especialmente no início, e conta com ótimo refrão e solos inspirados. Poderia muito bem estar presente em álbuns sensacionais como Souls of Black e The Ritual. “True American Hate” foi o primeiro single tirado de Dark Roots of Earth e é uma verdadeira “cacetada”, talvez a principal música do disco. Ela tem de tudo um pouco, velocidade, peso, melodia, vocais fortes, riffs inspirados e conta com um grande trabalho do batera Gene Hoglan. Como toca esse cara!

Quinta faixa do álbum, “A Day in the Death” tem no baixo de Christian o grande destaque. Outra canção forte, mas com menos impacto, e que assim como a anterior foi co-escrita pelo antigo vocalista da banda, Steve Zetro Souza. “Cold Embrace” é a música mais longa do cd e é uma daquelas típicas semi-baladas épicas que só o Testament sabe fazer. Introdução de violão com vocais suaves e o contraste com passagens mais pesadas e aceleradas. Tudo isso com direito a mais um belo solo de Alex Skolnick. Perfeita!

“Man Kills Mankind” volta a apostar no peso e em riffs galopantes, enquanto “Throne of Thorns”, outra faixa acima dos sete minutos de duração, justifica minha predileção pelo Testament. Difícil rotular essa canção. Dedilhados, passagens que lembram Pantera (vocais à la “Cemetery Gates”), outras que nos remetem a Black Sabbath, coros e mais guitarras furiosas. Demais! O álbum fecha com “Last Stand for Independence”, outra “porrada” que te faz querer ouvir tudo de novo.

A versão deluxe do disco ainda conta com covers para “Dragon Attack” do Queen, Animal Magnetism do Scorpions e “Powerslave” do Iron Maiden. Destaque para a ótima versão do Queen.

Para quem gosta de um bom Thrash Metal este é um lançamento imperdível. Agora se você, assim como eu, é um fã da banda então é item mais do que obrigatório para sua coleção. Corra atrás!

Tracklist:

1 – “Rise Up”
2 – “Native Blood”
3 – “Dark Roots Of Earth”
4 – “True American Hate”
5 – “A Day In The Death”
6 – “Cold Embrace”
7 – “Man Kills Mankind”
8 – “Throne Of Thorns”
9 – “Last Stand For Independence”
10 – “Dragon Attack” (cover do Queen)
11 – “Animal Magnetism” (cover do Scorpions)
12 – “Powerslave” (cover do Iron Maiden)
13 – “Throne Of Thorns” (versão extendida)

 

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DREAM THEATER – Images and Words – 1992

1992 foi um ano bastante prolífero em termos de lançamentos de álbuns de Hard Rock e Heavy Metal, em suas mais variadas vertentes. Para se ter uma ideia foi o ano do lançamento de grande sucessos como “Fear of the Dark” do Iron Maiden; “Countdown to Extinction” do Megadeth; “Dehumanizer’ do Black Sabbath; “Vulgar Display of Power” do Pantera; “Dirt” do Alice in Chains e “Angel Dust” do Faith No More, dentre vários outros.

 

Neste ano também foi lançado o álbum que praticamente ditou o que viria a ser o chamado Prog Metal: “Images and Words”, segundo full-length dos americanos do Dream Theater e que marcou a estreia do vocalista James LaBrie.

Considerado por muitos como o melhor álbum da banda, “Images and Words” é uma verdadeira obra-prima para os amantes do estilo. A abertura com “Pull me Under” é o prenúncio de que vem algo bom pela frente. Com uma introdução empolgante, a música mais famosa da banda é realmente sensacional e mostra com perfeição a fusão entre o progressivo que nos remete a King Crimson e Rush e o Heavy Metal de Metallica e Iron Maiden, por exemplo, sempre com muita técnica e precisão. Confesso que foi essa música que me fez comprar o cd logo que foi lançado. Uma das prediletas da casa!

Na sequência uma linda balada “Another Day”, com direito a participação do saxofonista Jay Beckeinstein, da banda de Jazz Spyro Gyra, que mostra que quem achava que o Dream Theater tinha apenas agressividade ou “malabarismo musical” estava completamente errado. Que bela música. Emotiva, fala da morte do pai do guitarrista John Petrucci.

Terceira faixa, “Take the Time” coloca um pouco de funk na miscelânea musical do Dream Theater e explora a mudança de ritmos e andamentos de forma frenética, enquanto “Surrounded” mostra o talento dos músicos em criar ótimas baladas.

“Metropolis Part 1” ao longo de seus mais de nove minutos serve bem para definir o que é o Prog. Metal e funciona como grande exemplo para se algum dia alguém lhe perguntar do que se trata esse gênero musical. Uma das prediletas dos fãs!

“Under a Glass Moon” se destaca pelo inspirado solo de John Petrucci e pela perfeição da cozinha formada pelo baixista John Myung e pelo excelente baterista Mike Portnoy. Penúltima faixa do álbum, “Wait for Sleep” tem cara de introdução e de forma doce apresenta apenas a voz de LaBrie com o piano conduzido pelo tecladista Kevin Moore. No mínimo tocante…

“Learning to Live” fecha o cd de forma épica, repleta de variações e com um pouco de tudo: peso, técnica, suavidade e muita, muita musicalidade.

“Images and Words” é um clássico da música pesada. Inovador e até certo ponto revolucionário, pois serviu como parâmetro para que surgissem várias bandas que tentaram sem sucesso copiar o Dream Theater. Entretanto, o que fica mesmo são as ótimas músicas que fazem deste um álbum inesquecível para os fãs da banda norte-americana que é super cultuada no mundo inteiro, especialmente no Brasil.

Tracklist:

1. Pull Me Under
2. Another Day
3. Take The Time
4. Surrounded
5. Metropolis – Part I – The Miracle And The Sleeper
6. Under A Glass Moon
7. Wait For Sleep
8. Learning To Live

 

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WARREN HAYNES BAND – Live at the Moody Theater (2012)

Poderíamos resumir este lançamento como uma verdadeira aula de boa música em apenas dois CD’s. Para quem não sabe Warren Haynes é guitarrista e vocalista das banda The Allman Brothers Band e Gov’t Mule. Dois excelentes grupos que fazem uma interessante mescla de rock ‘n’ roll, blues, country music e algumas pitadas de soul, R&B e gospel, ritmos estes mais acentuados em sua carreira solo com a Warren Haynes Band.

Neste CD duplo gravado ao vivo em Austin, Texas (EUA), no final do ano passado, Haynes desfila toda sua categoria em canções de suas bandas mais famosas e algumas covers como a inusitada versão para “Dreaming the Same Dream” de Ziggy Marley; a sempre maravilhosa “Spanish Castle Magic” de Jimi Hendrix e a surpeendente “Pretzel Logic” da banda Steely Dan.

“River’s Gonna Rise”, “Sick of my Window”, “Frozen Fear” (belíssima!), “On a Real Lonely Night” (que conta com ótimas improvisações e solos de tirar o fôlego), “Tear me Down” e “Soulshine” são alguns dos grandes destaques do CD ao lado da fantásticas “Fire in The Kitchen” (melhor faixa do álbum) e “Friend to You”, um dos principais sucessos do Allman Brothers.

Além do talento indiscutível de Haynes é importante valorizar a banda que o acompanha nesta empreitada. A adição do vocal de apoio a cargo da ótima Alecia Chakour (ouça “A Change is Gonna Come” e confira) aliado a saxofones, trompetes, trombones e piano tornam as músicas ainda mais encorpadas. “Invisible” mostra muito bem do que a banda é capaz. Uma Jam Session digna das melhores jazz bands do planeta.

Alguns podem achar cansativo, afinal existem solos e jams (às vezes exagerados) ao longo das canções, mas a qualidade dos músicos é acima do normal, principalmente nos dias de hoje, em que fazer sucesso é escrever coisas sem pé nem cabeça e cheios de “Tchururus” e “Tchararas”. Mais um ponto positivo para Warren Haynes que não cansa de nos presentear com boa música. Sim, isso sim é música!

Tracklist:

CD1

1 – Man in Motion – 7:57
2 – River’s Gonna Rise – 8:52
3 – Sick of My Shadow – 9:31
4 – A Friend to You – 5:56
5 – On a Real Lonely Night – 11:33
6 – Invisible – 13:01
7 – Take a Bullet – 5:21
8 – Hattiesburg Hustle – 6:53
9 – Everyday Will Be Like A Holiday – 10:15

CD2

1 – Frozen Fear – 6:19
2 – Dreaming The Same Dream – 6:33
3 – Pretzel Logic – 11:55
4 – Fire In The Kitchen – 7:06
5 – A Change is Gonna Come – 6:57
6 – Spanish Castle Magic – 6:49
7 – WHB Intro – 3:06
8 – Tear Me Down – 8:48
9 – Your Wildest Dreams – 12:11
10 – Soulshine – 8:56

 

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THE FRAY – Radio City Music Hall (New York) – 12/04/2012

Sempre quis ter a oportunidade de assistir a um show fora do Brasil e, assim, comparar com o que ocorre por aqui. E neste mês de abril não só realizei esse objetivo como pude conhecer um dos locais mais míticos para a música mundial: O Radio City Music Hall, em Nova York.

E posso dizer que foi tudo perfeito. A organização é invejável. Pouca fila e tudo muito bem feitinho; e o local então, só elogios. O Radio City é luxuoso demais, todo acarpetado, com escadas gigantescas e com todos os assentos estofados. Os banheiros são chamados de lounges e existem bares muito bem equipados. A acústica é perfeita em todos os locais (pista e mezaninos), e o som não falha em nenhum momento do show, e sequer podemos perceber aquelas temidas e chatas variações de volume que tanto ocorrem por aqui. Ou seja, é o lugar perfeito para os amantes da música presenciarem um espetáculo completo.

Agora falemos um pouco sobre os shows em si. A abertura foi da cantora Jessie Baylin que fez um bom aquecimento. Com uma ótima banda e uma voz bastante agradável, a cantora mostrou talento em composições que misturam rock, pop e folk. Bem legal!

Após o show inicial, o Radio City ficou completamente lotado e logo a atração principal entrou no palco. E que ótimo show o The Fray proporcionou. Pop/rock ( ou como chamam os críticos americanos piano rock) muito competente e repleto de belas baladas e melodias caprichadas. A banda trouxe um setlist baseado no novo disco Scars & Stories, mas não deixou de executar os principais hits de seus outros dois álbuns.

Destaques para as novas “Heartbeat”, “The Fighter” (minha predileta), “Run for Your Life” e para as já conhecidas “Over My Head”(primeiro single da banda), “How to Save a Life”, “Look After You” (do cd de estreia How to Save a Life), “Syndicate”, “You Found Me” e “Never say Never” (do segundo álbum, The Fray).

O único ponto negativo é que a plateia vibra bem menos do que aqui. Ao ponto do vocalista e pianista Isaac Slade pedir algumas vezes durante o show para que os espectadores levantassem das poltronas (sim, existem poltronas também na pista o que até certo ponto contribui para a certa passividade dos presentes) e chegassem mais perto do palco. Além disso, Slade fez questão de andar por todo o local chegando até a subir para cumprimentar as pessoas no primeiro mezanino.

Resumindo, excelente show, de uma banda que tem tudo para estourar fora dos Estados Unidos, em um local consagrado que vale todo tipo de elogio e cuja fama é extremamente merecida. Inesquecível! Se você for para Nova York não perca a chance de assistir a um show no Radio City Music Hall. Eu recomendo!

Setlist:

Munich

Turn Me On

Here We Are

You Found Me

All At Once

The Wind

Happiness

Never Say Never

Be Still

Rainy Zurich

The Fighter

Run For Your Life

Syndicate

How To Save A Life

Over My Head (Cable Car)

Heartbeat

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